Entenda porque não ingerir bebidas alcoólicas antes dos 18 anos

O Sem Excesso falou com especialistas para deixar a questão bem clara tanto para os pais quanto para os filhos.

Praticamente todo adolescente já foi ou será exposto a uma situação de consumo. Seja por oferecimento de um primo em encontros familiares, numa festa entre amigos ou às vezes até mesmo na saída da escola. A dúvida e a vontade chegam ao mesmo tempo e, muitas vezes, fica difícil para o adolescente se decidir.

A nova lei Antiálcool do Governo do Estado de São Paulo, que proíbe a comercialização e o consumo de bebidas alcoólicas antes dos 18 anos veio, na realidade, por meio de fiscalização, reforçar a norma já existente há 21 anos no Estatuto da Criança e do Adolescente. Pouco se explica, porém, o porquê em retardar a ingestão em menores de idade.

Especialistas afirmam que antes dos 18 anos, definitivamente, o corpo de um jovem não está preparado, do ponto de vista de maturação cerebral e funcionamento hepático, para receber bebida alcoólica no organismo. Diferentemente do que acontece com um adulto, a bebida é metabolizada de outra forma e, por isso, pode causar prejuízos físicos, cognitivos e comportamentais distintos.

A médica psiquiatra Marta Jezierski, diretora técnica da divisão de saúde do Cratod – Centro de Referência do Álcool, Tabaco e outras Drogas – acredita que existe uma permissividade na cultura brasileira no sentido dos pais consentirem que os filhos provem precocemente. “O cérebro em formação é muito suscetível a estímulos químicos que o sensibilizam para o resto da vida e daí vem às chances de desenvolver uma dependência”, esclarece.

Assim, a precocidade do consumo é um dos fatores que podem levar ao uso crônico.“Quanto mais cedo se começa, maiores as chances”, concorda a psiquiatra Renata Cruz Soares de Azevedo, que coordena o Ambulatório de Psiquiatria de Substâncias Psicoativas (ASPA) do Hospital das Clínicas da Unicamp – Universidade Estadual de Campinas.

No tocante ao sistema nervoso central, que envolve questões emocionais e psicológicas, especialistas são enfáticos ao dizer que o jovem ainda está estabelecendo sua personalidade e qualquer substância que altere seu comportamento pode ser prejudicial nesse momento de formação.

Uma das principais consequências é o afrouxamento do freio social, o que faz com que o adolescente se envolva em situações que sóbrio não assumiria, tais como atividade sexual de risco, acidentes de trânsito – mesmo como pedestre – e violência. “Isso também acontece no adulto, mas no organismo do jovem fica muito mais potencializado”, compara a psiquiatra Renata.

Ou seja: se a decisão for ingerir bebida alcoólica, quanto mais tarde melhor, assim o organismo estará preparado para fazer um consumo moderado, seguro e com responsabilidade.

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