Cuidado com excessos na busca pela alimentação saudável

Preocupação exagerada com a origem e qualidade dos alimentos pode ser prejudicial à saúde; entenda os motivos.

Padrões estéticos, alimentares e de qualidade de vida, normalmente difundidos pela mídia, ganharam mais evidência com a chegada das redes sociais. É corriqueiro nos depararmos com posts exibindo o resultado de planos alimentares rigorosos, como a recente “barriga negativa”, líder de trending topics. Buscar uma dieta balanceada, rica em frutas, legumes e fibras, é altamente recomendado, o problema está em transformar esse comportamento em uma obsessão por comer saudável, como alerta a diretora da Associação Brasileira de Nutrologia, a médica Maria Del Rosário. Segundo ela, a preocupação excessiva com a qualidade da alimentação está levando muita gente a desenvolver um distúrbio chamado ortorexia nervosa.

Tema de mais de 30 pesquisas científicas em andamento, a ortorexia é um distúrbio do comportamento alimentar que pode ser desencadeado em pessoas que buscam de forma excessiva a qualidade ou “pureza” dos alimentos e por isso limitam a variedade de ingredientes. Segundo a nutróloga, elas começam a excluir substâncias consideradas impuras como corantes, conservantes, gorduras trans, açúcar, sal ou aquelas que foram cultivadas com agrotóxicos. Na sequência, eliminam da dieta grupos alimentícios inteiros e essenciais para o organismo como laticínios, carnes, gorduras, carboidratos, entre outros.

Maria Del Rosário explica que o termo ortorexia (ortho: correto e orexis: apetite) foi criado em 1997 pelo médico americano Steven Bratman a partir de pesquisa realizada para o livro “Health Food Junkies”. De acordo com ela, o autor relata que além da busca excessiva por uma alimentação saudável, esse transtorno associa uma preocupação com a forma de preparo dos alimentos e os utensílios usados. As pessoas acabam não comendo na rua, em restaurantes, em bares, na casa de amigos e se sentem confortáveis somente quando preparam os próprios alimentos, considerados “puros”.

A nutróloga destaca que comportamentos como esse merecem toda a atenção e aconselhamento alimentar adequado, já que o transtorno pode levar a carências nutricionais, anemia, desnutrição, déficit de memória e concentração, desmaios, entre outros. Segundo ela, como em todos os transtornos alimentares, o ideal é acionar um médico e nutricionista especializado para avaliar, diagnosticar e tratar a doença. É importante também envolver um psicólogo no tratamento, tendo em vista a abrangência de sintomas e prejuízos para a saúde. “É importante realizar o diagnóstico precoce da ortorexia nervosa para prevenir quadros graves, mais complexos e demorados para a recuperação total do paciente”.

 

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