Gestantes, crianças e animais: eles podem conviver?

Estudos indicam que o excesso de contato com pelos é ruim para os bebês, mas se forem tomados os cuidados necessários, as crianças podem se beneficiar da convivência com os pets.

 O cachorro é o xodó da família. Ou talvez sejam gatos. Coelhos? Não importa qual é o animal de estimação da casa, mas quando chega a gravidez, vem com ela a dúvida: é preciso abrir mão do pet? Os pelos, a saliva, as unhas – a exposição das gestantes a isso pode prejudicar o bebê que está prestes a chegar? Como sempre, o exagero não é recomendado, mas também não é necessário mandar os bichos para longe. Vários estudos têm indicado que o convívio de gestantes e crianças com animais podem ajudar a prevenir doenças respiratórias e alérgicas nos pequenos.

O que já se sabe ao certo é que o sistema imunológico do feto sofre influências ambientais. Ou seja, os fatores aos quais as gestantes são expostas fazem diferença na formação física e biológica da criança. Assim, se ela se expõe aos animais ao longo da gestação, o bebê em formação no útero pode já começar a desenvolver agentes anti-alergênicos. Os pesquisadores apontam que é preciso mais estudos sobre o assunto para começar a indicar esse hábito às futuras mamães, mas as descobertas até aqui já indicam essa direção. Duas pesquisas apresentadas na reunião científica anual do Colégio Americano de Alergia, Asma e Imunologia, realizada em outubro deste ano em Boston, por exemplo, avaliaram os efeitos dessa exposição.

Uma delas, apresentada pela alergista Gagandeep Cheema, de Detroit, foi um estudo longitudinal que acompanhou 782 crianças do pré-natal aos 10 anos de idade. A grande descoberta é que o contato da mãe com um animal de estimação antes do nascimento reduziu significativamente o risco de desenvolver eczema, uma irritação da pele causada por agentes alergênicos. A pesquisadora, porém, alerta: quando a criança cresce e chega aos 10 anos de idade, o risco de apresentar sinais alérgicos ainda é menor do que naquelas cujas mães não tiveram contatos com animais, mas cresce em relação à primeira infância.

Já o trabalho da alergista  Po-Yang Tsou, de Baltimore, também apresentado na reunião, observou 148 crianças, que fizeram exames três vezes ao longo de um ano. Enquanto isso, as casas onde viviam eram inspecionadas para coletar amostras de poeira e pelos com o objetivo de determinar quais agentes alergênicos existiam no local. O resultado? Crianças com asma e que viviam com cachorros usavam menos o inalador pela manhã e apresentavam menos sintomas da doença ao longo da noite do que as que não tinham animal em casa.

As alergistas, porém, avisam que o excesso de contato com os pelos pode ser nocivo. Assim, elas recomendam dar banho nos animais com frequência, usar aspirador de pó em casa regularmente e lavar sempre as mãos com sabão depois de brincar com o pet.

E você? Tem animais em casa? Como faz para evitar as alergias?

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