Quando a inteligência estressa

Pesquisa indica que empatia, característica comum em pessoas com alto grau de Inteligência Emocional, pode gerar estresse se combinada com excesso de preocupação com as emoções dos outros. Veja como não cair nessa cilada.

Consciência de si, dos seus pontos fortes e fracos, autocontrole, motivação, habilidades sociais e empatia: essas são frequentemente características listadas nas definições sobre inteligência emocional. Porém, uma pesquisa publicada em 2016 na revista Emotion, da American Psychological Association, incluiu mais um item a essa relação: estresse. Mas fique tranquilo, basta ficar longe de alguns excessos e você não sentirá esses “efeitos colaterais”.

Em primeiro lugar, vamos entender como um conjunto de características positivas como as listadas acima pode levar ao estresse. Os pesquisadores da Frankfurt School of Finance and Management, na Alemanha, responsáveis pelo estudo, mediram os níveis de cortisol, hormônio relacionado ao estresse, em 166 universitários antes e depois de apresentarem assuntos de trabalho a juízes selecionados. Os mesmos estudantes tiveram que descrever os sentimentos de várias pessoas a partir de fotos.

O que os pesquisadores perceberam foi que aqueles que demonstraram maior capacidade de entender as emoções alheias – ou seja, foram os mais empáticos – se estressaram mais durante a tarefa. Compreender os sentimentos e expectativas de quem está ao redor e responder a isso de forma inteligente, em geral com certo grau de flexibilidade, é uma das características mais valorizadas da inteligência emocional, em especial no ambiente corporativo. O problema, porém, está no excesso.

Uma coisa é compreender as outras pessoas e tentar gerenciar as opiniões e personalidades de forma a garantir a união da equipe ou o sucesso de um projeto. Outra coisa é entender o que os outros querem e tentar se adaptar a isso a qualquer custo: está aí a fonte de estresse. A longo prazo, essa forma de lidar com a empatia pode prejudicar também a autoestima e piorar o problema. Algumas dicas simples podem te ajudar a continuar sendo uma pessoa empática sem se estressar demais com isso, confira:

No trabalho, defina metas e limites

Ao iniciar um projeto ou começar a trabalhar com uma nova equipe, tenha em mente quais são as suas metas e como pretende alcançá-las. Você sabe, porém, que nem sempre o caminho será fácil e algumas concessões precisarão ser feitas. Então, o ideal é saber com antecedência o que é negociável e o que não é. Assim, você terá uma margem para flexibilidade sem abrir mão do que considera mais importante só porque outras pessoas te induziram a isso. Não exagere nem na rigidez nem na maleabilidade.

No dia a dia, diferencie incompatibilidades com mal-entendidos

É impossível agradar a todos e isso você já sabe. Então, quando estiver diante de alguma decisão pessoal, leve primeiro em consideração a sua consciência e só depois pense em quem está ao seu redor. Com a consciência tranquila e emocional equilibrado, será possível esclarecer possíveis mal-entendidos da trajetória. Mas, claro, nem todos estarão satisfeitos com as suas escolhas e você, com a sua empatia, vai perceber isso. Siga em frente e não se importe. Afinal, se tentar agradar a quem tem opiniões e objetivos incompatíveis com os seus, quem vai sair estressado será você.

Lembre-se: não cabe a você salvar a todos

Você é muito bom em decifrar as emoções das outras pessoas, mas é preciso manter a autoestima alta para não confundir as frustrações alheias com sentimentos negativos delas contra a você. Ou pior: transformar a tristeza delas em suas. Se a fonte do problema for um mal-entendido com você, tente esclarecer o que aconteceu. Se não tiver nada a ver com você, mas ainda assim achar que pode ajudar, tente fazer isso. Mas não se esqueça: nem sempre você vai conseguir ajudar. Não transforme isso em uma frustração para você, ou seja, não exagere na empatia. Você não pode evitar o sofrimento alheio.

Excesso de bebidas alcoólicas prejudica boas decisões

Se você precisa tomar uma decisão importante, seja na vida profissional ou pessoal, fique longe dos excessos de bebidas alcoólicas. Os excessos podem causar sonolência, maior dificuldade de raciocínio e até problemas temporários de memória. Substitua esse exagero por boas noites de sono, alimentação equilibrada e atividades físicas regulares: isso tudo vai manter seu corpo e mente em equilíbrio para que tome as melhores decisões possíveis.

Ou seja: quem é inteligente mesmo, evita todos os excessos, seja de hábitos ou de sentimentos nocivos.

Fontes: Revista Exame e jornais The Huffington Post e Nexo.

 

Posts Relacionados

Inscreva-se