Lactose e glúten são sempre vilões?

Saiba por que para quem não tem intolerância a glúten e lactose, é possível mantê-las no cardápio e ter uma vida saudável. O segredo, claro, é evitar os excessos

Sua irmã cortou a lactose da dieta e seu melhor amigo não come mais nada que tenha glúten. Assim, a mesa de café da manhã e a do bar agora estão totalmente diferentes. A cada dia que passa, você está mais convencido de que deve cortar esses ingredientes da sua dieta também, apesar de, ao contrário da sua irmã e do seu melhor amigo, você não ter nenhuma intolerância a essas substâncias. Se você vive uma situação similar a essa, antes de tomar uma decisão para rearranjar seu cardápio, entenda as consequências dessa escolha. Saiba que, sem excessos, você pode manter lactose e glúten em sua rotina sem prejudicar a saúde.

Em primeiro lugar, é importante saber se você tem alguma reação a esses ingredientes. Desconforto gástrico, excesso de gases e diarreia são sintomas comuns a quem não se dá bem com eles. Se você tem sentido isso com frequência, comece prestando atenção em seu cardápio. Uma dica é anotar tudo o que você come por um período e, quando se sentir mal, recorrer às anotações para saber o que comeu e, assim, identificar o que tem te feito mal. Se for leite ou qualquer derivado, como queijos ou iogurtes, o problema pode ser a lactose. Mas se forem pães, massas ou bebidas feitas de cevada, como cerveja, o problema pode ser o glúten.

E que problemas seriam esses? Bom, a lactose é um tipo de açúcar encontrada no leite que precisa de uma enzima específica para ser processada no organismo, a lactase. Quem não produz essa enzima em quantidade suficiente, pode apresentar quadros inflamatórios diante da ingestão de leite e de seus derivados, como queijos. E esse é o quadro de intolerância. Caso perceba que esse pode ser seu problema, procure um médico para fazer os exames específicos e ter certeza do quadro.

Já o glúten é a combinação de dois grupos de proteínas, a gliadina e a glutenina, encontradas em grãos de trigo, cevada e centeio. Quando processadas para se transformarem em pães e massas, por exemplo, elas se combinam e formam o glúten. Caso você se sinta mal ao ingerir essas substâncias, é possível que tenha algum tipo de intolerância leve ou algo mais grave, como a doença celíaca. Essa última tem origem genética e é um transtorno digestivo grave. Se esse for o seu caso, é preciso seguir uma dieta totalmente livre de glúten – o que nem sempre é necessário no caso de intolerâncias leves. Diante da variedade de problemas que podem causar seu desconforto, é ainda mais importante procurar um médico para um diagnóstico adequado.

Você não tem intolerância a lactose e nem glúten? Que alívio!

Feitos os diagnósticos, você se sentiu aliviado por não ter nenhum problema com esses ingredientes? Então, fique tranquilo: você não precisa cortá-los da sua vida para ter uma rotina saudável.

Se decidiu fazer isso por outras razões, como perda de peso, lembre-se que dietas restritivas demais são difíceis de serem mantidas e, assim, é comum que depois de um tempo a pessoa retome os antigos hábitos e volte a ganhar os quilos eliminados no período da dieta.

O ideal é montar um cardápio que se adapte à sua rotina, lembrando-se dos horários em que está em casa e na rua e dos alimentos que estão disponíveis nessa situação.

Sem exageros, até alimentos considerados vilões, como gorduras e carboidratos, podem fazer parte do cardápio. Bebidas alcoólicas também, mas claro que sem excesso, e se você não tiver alergia ou intolerância aos seus ingredientes. E se sua meta é manter o peso, prefira petiscos mais saudáveis.

A decisão é sua!

Agora, se você está decidido a eliminar a lactose ou o glúten do seu cotidiano, é importante se lembrar que os nutrientes que serão retirados da sua dieta com esses cortes precisam ser repostos de outro jeito. No caso da lactose, não se esqueça que produtos derivados do leite são fontes de cálcio, essencial para a saúde dos ossos e dos dentes, por exemplo. Mas não se preocupe: você pode ingerir essa substância sem beber leite. Bons substitutos são, por exemplo, brócolis, tofu, grão de bico e sardinha.

Já o trigo, a cevada e o centeio, que dão origem ao glúten, podem ser sua fonte de várias vitaminas e nutrientes. Claro que todos eles existem em outros alimentos, o importante é saber como substituir o que você vai deixar de comer. Manganês, por exemplo, pode ser encontrado em castanhas e em frutas como o abacaxi. Já o zinco, está em carnes vermelhas e em ostras. O folato pode ser encontrado em vegetais folhosos e em Kefir.

Achou difícil balancear a dieta? Não hesite em procurar um profissional para ajudar a montar um cardápio ideal para você.

Fonte: portais BBC, Estadão e revista Saúde.

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