Mulheres e o consumo de bebidas alcoólicas

Como a saúde das mulheres pode ser comprometida se esse hábito for praticado em excesso

Até o início da década de 1920 era praticamente impossível ver uma mulher em bares ou mesmo bebericando algo em um restaurante com amigos. De lá pra cá as mulheres passaram a ter maior autonomia social e começaram a fazer coisas que antes não eram aceitas pela sociedade, como frequentar bares sozinhas ou com amigas. O que se viu foi um aumento no consumo excessivo de bebidas alcoólicas entre mulheres, que passou de 8,2% para 10,6%, entre os anos de 2006 e 2010, segundo dados mais recentes do Ministério da Saúde.

Para Ana Beatriz Pedriali Guimarães, doutora em Ciências pela USP, professora da PUC-PR e autora do livro – Um Passado que Vive: transmissão familiar do alcoolismo feminino, junto com as conquistas femininas, a bebida alcoólica acabou se tornando uma válvula de escape para as situações estressantes diárias*.

A professora destaca que, do ponto de vista biológico, as mulheres são metabolicamente menos tolerantes a bebidas alcoólicas que os homens devido à menor quantidade de água corporal em relação à quantidade de gordura, além de terem uma menor quantidade de enzimas metabolizadoras de álcool e que diminui ainda mais com a idade. Em outras palavras: a bebida é metabolizada lentamente e por isso sua absorção acaba sendo maior, concentrando-se mais ainda no sangue.

A mesma dose pode embriagar mais rápido uma mulher do que um homem. A OMS (Organização Mundial de Saúde) define como consumo moderado a ingestão de uma dose/dia para mulheres e duas doses/dia para os homens. A ingestão de doses diárias acima deste padrão é considerada prejudicial e representa algum risco para a saúde.

Elas começam a beber mais tarde, mas as consequências aparecem mais cedo. O efeito abusivo de bebidas alcoólicas está associado a diversos problemas de saúde, como:
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• Interrupção das menstruações
• Tensão pré-mestrual
• Problemas de fertilidade
• Menopausa precoce
• Durante a gestação, o abuso pode levar a síndrome fetal pelo álcool, caracterizado por retardo mental e outros problemas congênitos.
• Inúmeras doenças hepáticas – incluindo uma maior probabilidade de contrair cirrose -, pancreáticas e miocárdicas, tudo isso em um curto período de tempo.[/note]

Saber fazer bom uso de toda a liberdade conquistada durante a vida implica em responsabilidade e nenhum ato de excesso é responsável.

Mulheres e o consumo de bebida alcoólica em excesso

Fonte: Revista Super Interessante Setembro/2008

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