OMS diz que brasileiro tem bebido menos

Os novos índices devem ser comemorados, mas nem tudo é motivo de festa. A OMS relata que muitos ainda praticam o consumo exagerado em um único dia.

Beber sem excesso é nosso lema por aqui. Reforçamos sempre que é preciso manter-se dentro dos limites recomendados e que divertir-se com responsabilidade também significa evitar qualquer dose antes de dirigir. Por isso, temos que comemorar a constatação da Organização Mundial de Saúde (OMS) de que a quantidade individual de consumo anual de bebidas alcoólicas foi reduzida de 8,8 litros para 7,8 litros no Brasil entre 2010 e 2016. Mas nem tudo é motivo de festa: os índices de binge drinking, ou seja, consumo exagerado em um único dia, ainda são altos e relatados por 48% da população que consome bebidas alcoólicas.

Os números são do levantamento da OMS, lançado no último mês. Segundo o documento, a quantidade de litros ingerida pelos brasileiros, apesar de ter sofrido uma redução, ainda é maior do que a média mundial, de 6,4 por ano. Mas é menor do que as taxas europeias, que atingem 9,8 litros e representam o maior consumo regional do mundo. Já o binge drinking foi medido considerando as pessoas que ingerem, pelo menos uma vez ao mês, mais de 60 gramas de álcool puro em um único dia. O campeão nesse caso foi a Rússia, onde 60% dos que alegaram ter o hábito de beber relataram esse comportamento. No Brasil, o índice de 48% relatado é similar ao de outros países da América do Sul, como a Bolívia.

Porém, entre os homens, o Brasil alcança a Rússia e isso não é motivo para comemorar. O binge drinking é uma prática relatada por 60% dos homens que têm o hábito de beber no Brasil, enquanto entre elas esse índice é de 25%. O dado já é um alívio porque as mulheres metabolizam o álcool de forma diferente e os excessos podem fazer mais mal a elas. Nem por isso, é menos preocupante o hábito entre os homens. Esse comportamento não é indicado pela OMS, que destaca que o binge drinking, além de prejudicial à saúde, pode levar a condutas perigosas por reduzir a capacidade de julgamento da pessoa.

Uma das condutas mais perigosas nesse sentido é de dirigir embriagado. O relatório da Organização destaca ações positivas para evitar os problemas relacionados ao abuso de bebidas alcoólicas e uma iniciativa brasileira que busca reduzir o número de pessoas que pegam o volante depois de beber está entre elas. Trata-se da campanha “Vida Urgente”, organizada pela Fundação Thiago de Moraes Gonzaga, na cidade de Porto Alegre (RS). O trabalho busca conscientizar as pessoas sobre os perigos de dirigir depois de beber e, em ações nos bares da capital gaúcha, conectam taxistas aos frequentadores.

O documento também destaca que vários fatores alteram a média de consumo de bebidas alcoólicas, desde questões individuais, como gênero e idade, quanto econômicas e políticas. Ao analisar tais fatores nos diferentes países, a OMS fez uma projeção para o futuro e afirmou: é possível que a taxa de consumo individual no Brasil volte a crescer até 2025. Mas não precisa ser assim: evite os excessos e ajude seus amigos a fazerem o mesmo.

Fonte: Organização Mundial da Saúde (OMS).

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