Orientação também começa na escola

O consumo responsável de bebidas alcoólicas é um assunto que deve ser discutido não somente em casa, mas também dentro da sala de aula.

Muitos acreditam até que é importante ser inserido no currículo escolar. Afinal, o educador tem um papel fundamental na formação de crianças e jovens já que, além de facilitador da aprendizagem, contribui ainda para o amadurecimento emocional e social do aluno.

Nas próximas semanas, o Sem Excesso traz casos de sucesso de profissionais que usaram a criatividade e implementaram projetos exemplares de orientação a estudantes sobre o tema.

Abordagem Transversal

A estória de Elaine Nocera Kaizer é um exemplo de como a percepção, a dedicação e o amor pela profissão podem transformar a vida de várias crianças. Em 2003, então professora de Ciências do Ensino Fundamental numa zona rural de Ourinhos, no Estado de São Paulo, percebeu que alguns alunos entre 13 e 14 anos de idade consumiam bebidas alcoólicas precocemente. A partir daí surgiu a ideia do projeto “Pelo fim do Alcoolismo”, premiado nacionalmente e levado para Congressos na Argentina e Inglaterra.

“O trabalho foi contínuo. A parte mais importante desenvolvi durante o primeiro mês, mas no decorrer de todo o semestre sempre dava um jeito de trazer o tópico à tona”, diz Elaine, atualmente coordenadora pedagógica da Escola Sinharinha Camarinha, em Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo.

Para despertar o interesse dos alunos, utilizou uma abordagem transversal, tratando o tema sob vários aspectos. O ponto de partida foi o consumo de bebidas alcoólicas dentro do contexto social. Dessa maneira, fez uso de músicas sertanejas famosas na época, exibiu filmes que discutiam o assunto e trabalhou com anúncios de revistas e matérias na mídia.

O próximo passo foi discorrer sobre a historiografia da bebida, mostrando suas origens nos hábitos culturais. Para sensibilizar a turma, a professora explicou ainda os efeitos no cérebro e no sistema digestivo.

O reconhecimento aconteceu pouco mais de um ano depois. Elaine transferiu-se da escola de Ourinhos, mas recebeu uma proposta para retornar no ano seguinte como coordenadora. Foi quando voltou a ter contato com os alunos da época e pode conferir, de perto, os resultados efetivos do seu projeto. “Muitos dos alunos tinham parado completamente de beber, até socialmente” conta.

Posts Relacionados

Inscreva-se