Proteção em excesso na adolescência: melhor evitar

Já ouviu falar em hiperpaternidade? O termo alerta para os perigos do excesso de proteção nas relações entre pais e filhos, principalmente na adolescência. Entenda o conceito e veja algumas dicas do psicólogo José Antonio Luengo.

Hormônios a mil, mudanças no corpo, na cabeça, as descobertas, impulsividades, milhares de dúvidas sobre qual caminho trilhar. Ah, a adolescência! O tema, exaustivamente debatido há algumas décadas, volta para as rodas de discussão mirando não aqueles que vivem essa transição, mais quem participa ativamente dela: os pais. A mudança de abordagem quer chamar atenção, sobretudo, para a “hiperpaternidade”, prática que indica o excesso de proteção nas relações entre pais e filhos.

O termo, criado pelo psicólogo espanhol José Antonio Luengo, especialista em adolescência, tem relação com as mudanças sociais e econômicas de hoje, em particular, com a competitividade e com certas necessidades impostas, “de se destacar” ou ser bem-sucedido, por exemplo. De acordo com o especialista, essa realidade vem criando uma geração de pais hiperprotetores, que tentam blindar seus filhos de frustrações ou de situações de conflito.

Para José Antonio Luengo, apesar de todas as circunstâncias negativas, a atual geração de adolescentes e jovens é uma das melhores de todos os tempos. Mas não é a a hiperpaternidade que os ajuda a serem pessoas melhores. “Muito pelo contrário, isso vem gerando adolescentes com muitos medos. É preciso educar a partir do equilíbrio”, diz. Veja outros conselhos do psicólogo:

Compreenda esta etapa da vida. É importante que os pais entendam a adolescêcnia como uma fase que envolve mudanças fisiológicas, psicológicas e emocionais que são cruciais para o desenvolvimento dos seus filhos. É um período onde eles estão aprendendo a crescer e para isso é preciso cair, saber se levantar e seguir em frente.

É importante entender que os tempos são outros. Existem características que não mudaram muito, como a rebeldia, as alterações psicológicas e hormonais. Mas o modo como as coisas se organizam hoje, o papel desempenhado pela tecnologia, o largo acesso à informação virtual, o entendimento de família, por exemplo, são muito diferentes e os pais precisam levar isso em conta.

Fique atento ao acesso facilitado a bens de consumo. Organizar a vida dos adolescentes a partir do conforto e acesso irrestrito a bens materiais não é o caminho. Isso ocorre muitas vezes devido à ausência dos pais: “já que não posso estar com você, vou compensar com um conforto sem fim.” Isso não vai evitar as incertezas dos adolescentes ou facilitar a resolução de problemas.

As dúvidas também educam. Os adolescentes precisam entender o “não posso” ou o “não sei” como situações cotidianas, corriqueiras e passíveis de resolução. A dúvida e o questionamento estimulam mais raciocínio e ajudam na autonomia das decisões.

As decepções fazem parte da vida. Os pais precisam ter em mente que é importante entender a frustração como uma experiência imprescindível ao crescimento e fortalecimento dos adolescentes.

Fonte: com informações do El País

 

Posts Relacionados

Inscreva-se