Trabalho eficaz é sem excesso

Manter uma rotina profissional equilibrada, em harmonia com a vida pessoal, social e com os relacionamentos é o melhor caminho para ser mais produtivo no trabalho

A dedicação irrestrita ao trabalho é vista muitas vezes com bons olhos, a ponto de, no Brasil, a expressão ‘workaholic’ representar, em alguns ambientes, um elogio. Por outro lado, é corriqueiro ouvir histórias de doenças atribuídas às longas jornadas, como estresse crônico, estados críticos de tensão emocional e, em casos mais graves, a “síndrome de burnout”, que significa o máximo esgotamento profissional. Afinal, como saber se estamos exagerando e de que maneira adequar a rotina de trabalho à cultura sem excesso?

Para a diretora da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-MG), Virgínia Gherard, a resposta envolve equilíbrio, planejamento e, sobretudo, autoconhecimento. Segundo ela, ter qualidade de vida não quer dizer trabalhar pouco, mas sim buscar um ritmo balanceado entre os diversos aspectos da vida. “O tempo de dedicação ao papel profissional deve ter equilíbrio com o tempo para os familiares, lazer, vida social, saúde física, emocional e espiritual”, diz.

O problema está em querer conquistar a realização profissional, uma meta ou um novo cargo, às custas de sua saúde ou sacrificando os relacionamentos. “É importante também ter discernimento sobre as exceções”, diz Virgínia. Não há problema em destinar mais tempo ao trabalho em função de algum objetivo futuro, mas desde que esse processo seja por um período determinado, com perspectivas de volta a uma rotina normal assim que a meta for alcançada.

A especialista reforça que o ponto de partida para evitar problemas ligados à postura ‘workaholic” é a ampliação do autoconhecimento. Para planejar uma rotina adequada, sem excessos, é importante aprimorar o conhecimento sobre suas falhas e suas competências. “À medida que planejamos o nosso dia a dia e definimos um objetivo, passamos a atuar mais como protagonistas. Essa postura aumenta a percepção positiva e saudável de nossa vida. Finalmente, desenvolver a inteligência emocional potencializa e canaliza nossa energia realizadora, promovendo a auto eficácia e a melhoria dos relacionamentos”.

Para aquelas pessoas que já apresentam algum sintoma de esgotamento profissional, Virgínia Gherardd indica, primeiramente, identificar a causa do adoecimento e buscar ajuda especializada. Além disso, ela alerta que as pessoas mais sujeitas às síndromes e ao estresse negativo são aquelas que normalmente se sujeitam a realizações acima de sua capacidade ou são expostas a uma situação crítica e estressante de alta intensidade. “Uma forma de blindar-se é ampliar sua capacidade de resposta, melhorando sua autoestima para se sentir mais preparada para os desafios”.

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E você, já passou por alguma situação estressante ligada a uma longa jornada de trabalho?

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