Trabalho online: evite excessos e gere resultados

Em uma cultura tecnológica que glorifica as longas jornadas online, é importante evitar exageros para manter a saúde física e mental.

“Perdi a conta de quantas horas fiquei em frente ao PC, mas faria tudo de novo por esse código brilhante. “Foram noites sem dormir e meses de dedicação ininterrupta para produzir o mais criativo dos games. Orgulho é a palavra que melhor define. “Doze, 15, sei lá quantas horas de trabalho diário fazendo streaming. O resultado? Espetacular! Valeu demais ficar tanto tempo online. ”

É bem provável que sua timeline tenha algum ou talvez vários posts como esses. Gente orgulhosa de varar noites trabalhando na elaboração de projetos inovadores, acompanhando campanhas virtuais criativas e envolventes. É possível também que você tenha dado likes em admiração a tanto suor. Mas será que o excesso de trabalho é algo positivo?

Mesmo que o profissional atue em uma ação diferentona, tenha a liberdade de um freelancer ou faça parte de uma empresa badalada (cujo ambiente acolhedor lembra um parque de diversão), é importante ficar atento à crescente cultura que glorifica as longas e exaustivas jornadas. Segundo último levantamento da Organização Internacional do Trabalho (OIT), mais de 400 milhões de pessoas trabalham 49 ou mais horas por semana, o que vem aumentando os índices de estresse e síndromes de esgotamento físico e mental como o burnout. Os longos expedientes também figuram na pesquisa Excesso dos Brasileiros, realizada pelo nosso portal, com mil participantes.

Um caso emblemático nos dias de hoje são empresas internacionais que dispõe de algoritmos que distribuem tarefas a profissionais remotos, que atuam como freelancers online. Escrever códigos, artigos para blogs ou posts para redes sociais estão entre as demandas. Um estudo recente sobre essas plataformas de serviço, realizado pela Universidade de Oxford, na Inglaterra, afirmou que elas induzem o excesso de trabalho. Funciona assim: quanto mais elevada for a nota do funcionário no ranking da plataforma, maior a chance de ele ser contratado novamente. E para ser bem avaliado, eles se submetem a rotinas exaustivas, cumprindo prazos extremamente apertados e trabalhando horas a fio. Se não fizeram isso, recebem uma avaliação ruim, o que dificulta uma nova contratação.

Segundo a pesquisa, os freelancers de grande parte dos países europeus e dos Estados Unidos que usam essas plataformas têm mais abertura para negociar prazos e demandas com os clientes. No entanto, 60% dos trabalhadores de países do cone sul global admitiram trabalhar com prazos apertados e 22% alegam ter dores físicas relacionados à rotina de trabalho.

Outro caso representativo ficou conhecido como “crunch time”, expressão usada por desenvolvedores para descrever as jornadas exaustivas que são impostas pela indústria de games. Tudo começou em 2004, quando a esposa de um funcionário da Eletronic Arts, nos EUA, criou um blog para revelar a rotina extenuante do marido. Isso levou centenas de desenvolvedores a confirmarem que para finalizar um projeto ou cumprir prazos de lançamento dos jogos, eles eram submetidos a 80 horas ou mais de trabalho semanal, durante meses. Apesar das denúncias terem ocorrido há 14 anos, as rotinas excessivas permanecem nas empresas de jogos, no mundo todo.

É como falamos lá em cima: por mais legal que seja o projeto que você esteja trabalhando e mesmo que a atual cultura tecnológica te mantenha online por mais tempo, é importante não exagerar e impor limites para o bem da sua saúde física e mental. Para te ajudar nessa tarefa, listamos algumas orientações:

Não é preciso estar disponível o tempo todo

Se o smartphone prolongou sua jornada de trabalho, é bom ficar atento. Negocie com sua equipe e chefia os horários para retornos das mensagens fora do expediente. Se você não estiver em um plantão pré-agendado, não há necessidade de ficar disponível.

Demarque seus limites

Seja você um freelancer ou funcionário de uma empresa: tenha clareza sobre sua capacidade de entrega. Se esforçar além da conta, por longos períodos, não garante produtividade e pode acarretar problemas de saúde como esgotamento físico e mental.

Estipule intervalos

As orientações variam um pouco, mas no geral é recomendado que a pessoa dê uma pausa de, no mínimo, 12 horas. Ou seja, se você trabalhou até 19 horas, não é indicado voltar a trabalhar antes da 7h do dia seguinte. Esse intervalo é recomendado para manter sua capacidade física e mental.

Jornada negociada

Estender o período de trabalho em épocas mais decisivas é normal, mas todos os detalhes devem ser negociados (horas extras, período etc). É fundamental ter transparência para não transformar um momento de exceção em rotina.

Não desconte nas bebidas

O estresse com os prazos e volume de trabalho te fez recorrer às bebidas alcoólicas e você acabou exagerando na dose? Da próxima vez, tenha uma conversa franca com a chefia ou contratante e negocie o ritmo de suas entregas. Será muito melhor para sua saúde física e mental do que o excesso de bebidas, certo? Claro que um brinde ou outro pode dar um up na rotina, mas só se for com equilíbrio. Nesta matéria te explicamos melhor sobre a quantidade de doses que não afetam seu bem-estar.

Desconecte-se

Para muitos profissionais do mundo online, os momentos de descanso continuam nas telas. Porém, diversas pesquisas mostram que estimular o bem-estar é preciso desconectar totalmente, principalmente antes de dormir. Procure criar uma rotina de descanso (pelo menos por algumas horas diárias) que não envolva internet e dispositivos eletrônicos.

Fontes: com informações do The Guardian, BBC e Exame.

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