Você exagera nas selfies?

Fake News sobre um distúrbio chamado “selfities” despertou o interesse de muita gente sobre o assunto. A patologia não foi reconhecida, como diria a falsa notícia, mas o exagero no comportamento pode ser sim um problema.

Você está se sentindo particularmente bonito. Ou talvez esteja em um lugar paradisíaco. Pode ser também que simplesmente está entediado e decida tirar algumas fotos. Não importa o motivo, o fato é que você provavelmente já tirou selfies este ano – e postou várias delas nas redes sociais.

O fato de se fotografar e compartilhar sua imagem na internet já é parte do cotidiano de jovens adultos do século 21. E quando isso vira um problema? Quando é feito em excesso.

Em 2014, a notícia de que a Associação Americana de Psiquiatria deu até nome para esse exagero, selfities, se tornou viral. O transtorno teria sido definido em seu jornal como um desejo obsessivo compulsivo de tirar fotos de si mesmo e postá-las nas mídias sociais. Essa compulsão estaria ligada à necessidade de maquiar a falta de autoestima e, com isso, preencher o espaço vazio, através da exposição da intimidade pessoal.

Até hoje alguns jornais usam o conceito, mas, na verdade, tratava-se de fake news. A Associação nunca falou nas tais “selfities”. Sentiu um alívio aí ao pensar que suas selfies diárias não são um problema? Bom, também não é assim. Muitos estudos já associaram o ato, hoje tão natural, de se fotografar e, em seguida, compartilhar a autoimagem, como ligado a problemas psiquiátricos.

Pesquisadores da Universidade de Ohio (EUA), por exemplo, estudaram um grupo de 800 homens entre 18 e 40 anos. A conclusão é de que aqueles que mais postavam selfies tinham mais traços de comportamentos antissociais.

Outro trabalho, esse publicado em 2016 por pesquisadores da Universidade da Flórida, revelou que narcisismo pode ser um dos fatores que leva as pessoas a exageram nas selfies em redes sociais. A possibilidade de editar as fotos, mudar os contrastes de cores e, assim, criar uma aura de grandiosidade à pessoa aumentaria essa correlação entre narcisismo e selfies. Esse apreço exagerado pela autoimagem, em geral acompanhado por autopromoção, que define o narcisismo seria prejudicial às relações sociais. Mas os pesquisadores da Flórida alertam: não se pode assumir automaticamente que quem se fotografa muito é narcisista.

Há outros fatores, além de traços de personalidade, que podem influir no comportamento.

Em seu estudo, eles perceberam que muitos dos envolvidos com postagens consideradas exageradas de selfies faziam isso simplesmente porque consideravam engraçado. Ou, em alguns casos, tratava-se de um código de comunicação e interação em seu grupo social. Então, postar selfies por si só não é um problema. A questão é entender o que isso significa em sua vida.

Se, por exemplo, documentar sua presença em algum lugar e compartilhar seu passeio tem se tornado mais importante do que viver a experiência, talvez seja a hora de começar a repensar seu comportamento. Também é importante entender o motivo que te leva a compartilhar tantas selfies. Você mede o quanto é amado ou aceito pelo número de curtidas que recebe? Esse pode ser um sinal de problema.

A regra é simples: viver precisa ser mais importante do que publicar. Qualquer distorção nessa hierarquia precisa ser repensada. E se você identificar que seu comportamento nas redes sociais está ligado a alguma insegurança ou necessidade de autopromoção, procure ajuda de psicólogos. Assim, você pode ficar bem com você mesmo e postar suas selfies por motivos melhores: o de simplesmente se divertir, por exemplo.

E você? Quantas selfies posta por dia? O que te leva a compartilhar sua imagem?

Fontes: The Forbes, Psychology Today, The Huffington Post

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